Raimundo Nonato Travassos Furtado

Por Gabriel Oliveira

TRAVASSOS FURTADO
O poeta e cientista das estrelas

Oswaldo Pereira Gomes

Raimundo Nonato Travassos Furtado nasceu em Viana, no dia 12 de junho de 1912. Filho primogênito do casal Raimundo Zacarias Furtado e Raimunda Amélia Travassos Furtado, o menino teria uma infância igual à dos garotos de sua época, se não fosse sua visível inteligência e insaciável sede de saber.

Municipal de Viana, não demoraria a se destacar e ser apontado, pelos professores, como o melhor aluno daquela instituição. Encarnava os estudos com interesse e esmero próprios da determinação e da força de vontade que lhe acompanhariam por toda sua existência. Garoto tímido, também se deixou fascinar pelo mistério do espaço sideral, pontilhado de estrelas, das noites escuras de uma Viana que ainda não conhecia a energia elétrica. Com a ajuda dos irmãos e colegas, construiu jirais altos no fundo do quintal de sua casa, para poder melhor observar e estudar as constelações de nossa Via Láctea.

Aos 15 anos tornou-se aluno do famoso Instituto Dom Francisco de Paula. Nessa mesma época, assessorado pelos amigos Percy Noronha e José Salgado Aquino, criou “A Centelha”, um pequeno jornal que circulava aos sábados e que logo ganharia aceitação e simpatia da sociedade vianense.

Dois anos depois, inteligentemente, transferir-se para a capital, a fim de continuar os estudos, o periódico encerrou suas atividades.

Em São Luís, o jovem Raimundo matriculou-se no tradicional Liceu Maranhense, onde se bacharelou em Letras. Em seguida, concluiu o curso de Contador, pela extinta Escola do Comércio. Na nova cidade, abraçaria definitivamente a carreira jornalística, já iniciada em Viana. O primeiro emprego, acontecendo aos 19 anos, foi o de auxiliar de revisão do “Diário do Povo”. Depois passaria a trabalhar em outro famoso jornal da época, o “O Combate”. Neste segundo vespertino, experimentou de fato não somente a grandeza, mas também os revezes da profissão. Como Redator Secretário, e cinco anos depois, Redator Chefe desse importante veículo de informação, enfrentou as tumultuadas lutas políticas na ditadura de Getúlio Vargas, enfrentando todo tipo de calúnia e perseguição, escapando inclusive de ser agredido fisicamente ou até mesmo de morrer. Tudo pela “luta gloriosa na trincheira da democracia”, como o próprio Travassos Furtado costumava enfatizar.

Com a instalação do Estado Novo, os jornais de oposição ao governo foram fechados. Forçado pelas circunstâncias políticas, em outubro de 1937, aos 25 anos de idade, o jovem jornalista precisou trocar de profissão para poder sobreviver. Conseguiu um novo emprego como chefe de escritório da firma Matos & Cia Ltda., que comercializava e exibia filmes para os principais cinemas de São Luís.

Assim, durante nove anos, levou uma vida pacata, dedicando-se ao trabalho e aos passatempos preferidos: estudar física, matemática, astronomia e escrever poesias. Foi nesse período que surgiu a grande dor de sua juventude: no dia 30 de dezembro de 1944, casou-se com Maria da Conceição Araújo Furtado (Conceição), com quem compartilharia um caminho saudável e feliz até o final de suas vidas.

Dois anos depois, com o final da ditadura e o retorno das liberdades no país, sua vida iria dar uma nova guinada. No dia 26 de abril de 1946, recebeu um telegrama de Viana, enviado por Monsenhor Arouche, solicitando sua presença urgente na cidade. O motivo da chamada era que as lideranças políticas locais desejavam colocar um representante vianense na Câmara Legislativa Estadual, para defender os interesses da região. E o escolhido para tal missão era ele, o jovem intelectual filho da terra.

Travassos Furtado foi eleito Deputado Estadual, pelo Partido Republicano, naquelas eleições de 1947. Devido ao trabalho sério, atuante e compromissado com os interesses do povo, seria reeleito por mais quatro mandatos consecutivos. Ao todo, foram cinco legislaturas e tantos anos consagrados na árdua luta pelo ideal de um Maranhão mais justo e desenvolvido.

Como os cometas e as estrelas cadentes, que tanto lhe fascinaram na vida, ao falecer, em 1990, aos 78 anos de idade, Travassos Furtado havia traçado uma esteira de luz nos céus vianenses. Não bastasse o singular talento nas letras, foi um brilhante homem da vida pública. Poeta atuante do Momad (Movimento Maranhense de Trovadores), escreveu inúmeras poesias, algumas delas reunidas no livro “Poemas de Estrelas”, lançado pelo SIOGE em 1985. Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, Travassos é autor da autobiografia “Minha Vida, Minha Luta” e de vários outros trabalhos inéditos, como “Intimor na Língua Portuguesa”, “Contos e Lendas do Maranhão”, “Iluminai” (romance) e “Brasil República” (importante estudo sobre a história da República brasileira), que até hoje reclamam publicação.

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