Vianense de nascimento e de coração
Por: Luiz Alexandre Raposo
Auxiliado pelos compagnieros Pedro Mendengo e Geraldo Majela, ele vem promovendo o congresso cultural de Viana há precisamente uma década. Sua determinação e poder de luta são inquebrantáveis, malgrado os obstáculos surgidos a cada ano, pois não é fácil promover e organizar um evento desse porte (principalmente numa cidade como Viana), quando se reside e trabalha a milhas de distância.
Para quem partiu há mais de 40 anos, José Antonio Rosa Castro é um perfeito exemplo de abnegação e extremado amor berço natal. Advogado, casado (pela 2ª vez) com Danúbia, pai de três filhos (Christiane, Alexandre e Larissa) e avô de Luíza, domiciliado e residente no Rio de Janeiro, ele é um desses raros vianenses que, tendo deixado sua cidade em busca de realização profissional, retorna periodicamente não apenas para rever paisagens de gratas recordações, amigos ou parentes, mas para tentar fazer algo em defesa de seu lugar de origem.
Filho primogênito de Djalma Costa Castro e Ana Maria Rosa Castro, José Antonio nasceu no sítio Santana Cruz (Caraceia), propriedade do avô materno, Luiz Rosa, no dia 29 de janeiro de 1943. Cedo passou a ajudar o pai nas atividades comerciais e traqueiras tarefas domésticas. Alfabetizado pela própria mãe, tornar-se-ia aluno do legendário professor Egídio Rocha (1952 a 1955), antes de ingressar na Escola Paroquial “J. do Delgado”, onde concluiria o curso primário.
Como a majoria dos meninos vianenses daquela época, paralelo aos estudos, também se iniciou no aprendizado musical, tendo como professores José Hemertério e Luís Lima. Mais tarde, frequentaria a escola de música mantida por José Nunes, dedicando-se aos instrumentos de sopro clarineta, requinta e saxofone alto. A estreita ligação do novo instrumentista com o grupo aos 18 anos, como integrante da Banda “São Pedro”, sob a regência do maestro José Mendonça, terá início no mês de junho de 1961.
Nesse mesmo ano, ingressou no Ginásio “Professor Antônio Lopes”, integrando a segunda turma daquela instituição e, em 1964, concluiu a 2ª série, quando então a instituição, mais conhecida como Ginásio Viana, se para São Paulo Concluindo sua vida de todos os meios de país, (1973) veio ao Rio de Janeiro.
Na Cidade de São Paulo, José Antonio cursou o 2º grau, formou-se em Contabilidade, no Colégio Prof. Santana Bernadete. O ingresso na vida universitária só aconteceria cinco anos depois, em 1971, quando a Faculdade de Direito “Cândido Mendes e graduar-se-ia em 1978. Um ano e meio após a conquista do grau era aprovado na primeira fase do Exame de Ordem da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Estado do Rio de Janeiro.
Enquanto conquistava seu espaço nas grandes firmas fluminenses, Zé Antonio, como é conhecido, ativitamente militava no Grêmio Estudantil. Em 1981, após a morte prematura de seu pai, ele e os demais irmãos Castro residem no Rio e a maioria trabalha na firma familiar “Técnica Instrumentação e Controle Ltda.”, prestadora de serviços para sistemas de centrais de ar condicionado e de instalações industriais.
Fiel às suas origens, Zé Antonio, juntamente com alguns conterrâneos residentes no Rio, criou um grupo de Bumba-meu-boi para amenizar as saudades do Maranhão. A brincadeira de fundo de quintal foi aos poucos ganhando fama e arregimentando outros maranhenses. Em 1987 fez sua primeira apresentação pública, contando com amo, vaqueiros e cazumbás fantasiados a caráter. Em 1982, o grupo transformou-se na Associação Folclórica Bumba-meuboi “Brilho de Lucas”, a qual faz parte, hoje, do calendário de atividades culturais da Prefeitura do Rio.
Em 1996, depois de instalada toda a família, o filho mais velho de D. Aniceta e Seu Djalma Castro começou a empreender o percurso de volta. Inspirado na clássica obra do Dr. Ozimo de Carvalho, Retrato de um Município, decidiu trabalhar em defesa do meio ambiente e do resgate dos valores culturais de sua terra. Dessa forma, nasceu o Congresso Cultural de Viana, realizado anualmente no mês de julho, agora sob a administração da recém-criada Fundação Conceição do Maracau.
Assim, mercidamente, José Antonio Rosa Castro foi eleito para ocupar a Cadeira nº 22 (patronada por seu ex-professor Egídio Rocha), da Academia Vianense de Letras, cuja posse aconteceu no neste mês de julho.