ACADEMIA VIANENSE DE LETRAS – AVL

Fundada em 04 de maio de 2002 e registrada no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas – Viana/Ma, n.º de ordem 387, de 04/06/2002, fls. 21, Livro
“A”, n.º 05; Alteração registro n.º 1170, Livro A10, de 15/12/2016. Declarada de utilidade Pública Municipal, Lei nº 148/03.

Biografia

Ozimo de Carvalho

Um intelectual antenado com sua época

Por: José Henrique Nogueira de Carvalho

Ozimo de Carvalho, filho de Leonel Alves de Carvalho e Judith Leopoldo Viana Gomes de Carvalho, nasceu em Viana, no dia 8 de abril de 1890. Ali fez seus primeiros estudos no Colégio Antônio Rêgo1. Concluiu em São Luís, no Liceu Maranhense, o curso preparatório para a Faculdade. Visando à realização de um sonho, se­guiu para Salvador, onde iniciou o curso de Farmácia. Em 1910, com apenas 20 anos de idade, recebeu o diploma de Farmacêutico, o qual lhe foi outorgado pela Faculdade de Medicina da Bahia.

De volta à cidade natal, dedicou-se à profissão, inaugurando a “Pharmacia Brazil”, em 1913. Em seu estabelecimento organizou um pequeno laboratório para manipulação de fórmulas próprias, com o aproveitamento de ervas, folhas e raízes de plantas do regão. O Amargo Digestivo, com fórmulas do estó­mago e do fígado, bem como a Neocatol, vermífugo de ação eficaz, foram drogas crla­das para atender à população, principalmen­te às classes menos favorecidas.

Viana sofria com a falta de médicos. Quando aparecia um profissional da Medi­cina, o farmacêutico substituía o atenden­te. Entretanto, o vianense, de modo geral, não aceitava o receituário de médico sem antes obter a aprovação do experiente Ozi­mo de Carvalho.

Aos 26 anos, Ozimo casou-se em Via­na, no civil, com Flávia Georzu de Cunha, filha de Mariano Augusta da Cunha e Isaura Mendes da Cunha, e, no religioso, no ano seguinte, sendo oficiada a cerimônia no Ginelo SeyslanoViana. Da união nasceram os filhos, Celeste, Lauro, Carmen, Helen, Judith, Ester, Dulval, Dulcidro e Geraldo Cunha Carvalho.

Na política, foi o 9º prefeito da cidade após a Proclamação da República e, tam­bém, o 34º vereador desta, com 4 mandatos (terceiro carreira de interinidade). Elegeu-se vereador para três legislaturas e cheogu a pre­sidente da Câmara Municipal. Num de suas gestões à frente do le­gislativo vianense aconteceu a instalma simbiltrous as heróicas e vitoriosas luta con­tra as tradições nos municipio ao longo dos anos, o qual foi narrado pelo es­critor plástico contempo­râneo, Nailson Salga­do de Aquino.

Homem de visão, crente de que o futuro de uma nação está intrinsecamente ligado à educação e à cultura, incentivou seu pai — lavio­lês de Carvalho, pre­feito da cidade — a adquirir um acervo capaço completo de 24 volumes, da Biblioteca Internacional de Obras Célebres, com as quais foi inaugurada a Biblioteca Munici­pal de Viana, em 1915. Hoje esta casa do saber tem o seu nome, numa homenagem póstu­ma prestada pela dignidade local.

Em 1929, Ozimo de Carvalho, preocu­pado com o descaso da educação vianen­se, fundou e custeou, com recursos próprios, o seminário “A Época”. O objetivo era manter informado com esclarecimentos sobre os acontecimentos políticos e concerna­dos no Maranhão e no País. Foram 117 números editados, porém, no ano de 1931, deixou de circular por tristezas daquele que já se havia habituado a acompanhar e sinto­ lorar aos acontecimentos da terra, aos notí­cias que o pai do redator falecuia.

Homem de caráter, de estrutura moral e ilibada e fortes convicções políticas e religiosas, derrutreu princípios éticos e científicos e de ensinamentos, este renomado filho desta terra dedicou toda a sua vida e a sua memória por ser ate. Aceitava os “agradeci”, a formação obtidos comuns os correntes, aquele que o som das forças do comércio: a fundação da Associação Comercial, Agrícola e Industrial de Viana, em 1944. Esta organização destinava-se a aglutinhar as forças no seio da classe empresarial, como de modo geral, dar representativi­dade frente dos dirigentes de órgãos públicos, na busca da realiza­ção de projetos de interesse da cate­goria.

Sua vocação para a Botânica le­vava-o a colher, nos matos e campos, amostras de espé­cies vegetais, muitas ainda desconheci­das dos cientistas. Para identificação, as enviava ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, com o qual man­tinha frequente intercâmbio. De outras ver­zes, fazia a descrição de plantas colhidas, anexava informações sobre o uso delas na medicina caseira e as remetia ao Horto Oswaldu Cruz do Instituto Butantã ou para a Seção de Botânica do Museu Paulista, onde eram submetidas a análises bromoló­gicas e à classificação botânica.

Este labor, acrescido de outros não me­nos importantes inferres da flora, fe­ nomes históricos, solo, clima, criação de gado, cocos, babaçu, louro e meios de transpor­ te, culminando com o estudo histórico do homed em Viana, levaram Ozimo a enriquecer o Retrato de um Município, livro de sua au­ toria, tão opulente em conteúdo científico, co­ mo poucos se tem elaborado sobre o assunto no nosso meio. Com esta publicação, o autor prestou relevante contribuição à História e às Ciências dos tempos subsequentes, e ao mes­mo passo em oferta de homenagem à cidade pelo bicentenário da transformação do vilarejo da Aldeia de Maracu em Vila de Viana, ocorrida em 8 de julho de 1757.

Com o óbito da viúva, depois de 52 anos de feliz convívio matrimonial, iniciou-se, então, o declínio de sua proficua existên­cia. Assim, a 8 de setembro de 1978 Ozimo de Carvalho faleceu em Viana, aos 88 anos de idade, no aconchego familiar dos filhos, netos e amigos dedicados. Seu sepultamento deu-se no cemitério Campo Santo Sebastião, ao lado da esposa.

Como reconhecimento aos relevantes serviços prestados à comunidade, primeira­mente aos mais necessitados, o seu nome se dedica com amor e dignidade, durante 65 anos, à Câmara Municipal, cumprindo o dever de legítima representante do povo vianense, por unanimidade, o Projeto de Lei n.° 967/79, autorizando o Poder Execu­tivo a alterar a denominação da Praça 8 de Julho para Praça Ozimo de Carvalho e erigir-lhe busto, o qual foi feito em bronze e esculpido sobre pedestal de mármore.

A Academia Vianense de Letras prestou, também, justa e merecida homenagem ao farmacêutico conterrâneo, ao escolher Ozimo de Carvalho para dignificar a Cadei­ra n.° 19 do sodálio e, ao mesmo tempo, elevar bem alto o nome deste luminar da História de Viano. Como prova, mandou cunhar a efígie do intelectual que ilustra o busto na praça de seu nome, placa comenorativa.

Enfim, tem realizado com a bando de Ozimo de Carvalho se encontram em todo Mate As pedras do calçamento não falam, mas os nossos pássaros ainda cantam nos campos e nos lajes usados do chão centenário de ruas e becos e suas vozes estão gravadas nas paredes das suas casas em que anda em corpo e corretem verem. As plantas de seu jardim e de seu viveiro, porém, mostram que se emblava está sempre à murmurar o seu nome forte. Em Viana, no batismo do desconhecido se as inseria no livro do bando do Ciclones. A cidade não ainda, que não foram extintas, já se pre­param para outros recamos, mas as revoadas das novas gerações manterão as asas, do firmamento que o al mirar-se na plenitude brilharão o legado a beirar asas de suas saudosas ao imortal identidade.

*Escritor e titular da Cadeira n.º 19 da AVL, tem por patrono Ozimo de Carvalho como patrono.