ACADEMIA VIANENSE DE LETRAS – AVL

Fundada em 04 de maio de 2002 e registrada no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas – Viana/Ma, n.º de ordem 387, de 04/06/2002, fls. 21, Livro
“A”, n.º 05; Alteração registro n.º 1170, Livro A10, de 15/12/2016. Declarada de utilidade Pública Municipal, Lei nº 148/03.

Biografia

Raimundo Lopes

Um intelectual a serviço da ciência

Maria da Conceição Brenha Raposo

O filho mais moço do Dr. Manuel Lopes da Cunha e de D. Maria de Jesus Sousa Lopes da Cunha nasceu em Viana no dia 28 de setembro de 1894. Aos seis anos de idade, ao raiar do século XX, o pequeno Raimundo deixava sua cidade natal, em companhia da família, para residir em São Luís.

Na capital, foi matriculado na Escola Modelo Benedito Leite, onde estudou até o ano letivo de 1903. Seu pai, que havia sido eleito governador do Maranhão dois anos depois de transferir-se de Viana, resolvera mudar-se para o Rio de Janeiro, renunciando ao cargo de governador e não concluindo um ano de mandato.

Na então capital do país, o menino vianense já demonstrava vivo interesse pelo conhecimento científico, acompanhando entusiasmado o sucesso das experiências dos balões. Durante os dois anos passados no Rio foi aluno particular de D. Eunice Tostes de Alvarenga, responsável por sua preparação para o ingresso no famoso Liceu Maranhense, quando retornasse a São Luís.

De volta ao Maranhão, já adolescente, não demorou a dar sinais de sua vocação para as letras. Fundiu com os colegas liceístas a Via Lucis, uma publicação que mostrava a brilhante despertar de sua inteligência privilegiada. Também assinaria colunas em jornais conhecidos como O Diário do Maranhão e A Pacotilha. Fascinado pela geografia, com apenas 16 anos publicava O Torrão Maranhense, ensaio de Geografia Humana que consagrava uma ideia em que a cultura geográfica ainda era concebida como coisa estática, como era na Europa — em especial na Alemanha e na França —, alguns cientistas (predicados pelo genial Humboldt e seus estudos no campo das ciências naturais) alcançaram nas suas investigações da natureza influências enormes em nosso meio, sugerindo não somente a formação dos homens autônomos da natureza, como o conceito das grandes transformações radicais, o jovem estudante vianense lançava uma visão das ideias dos grandes mestres europeus, que se misturavam aos estreitos limites da disciplina de sua geografia.

Em 1916, depois de transferir-se para o Rio de Janeiro, Raimundo Lopes da Cunha publicaria trabalhos de geografia, escritos com exatidão e ciência. O Torrão Maranhense seria o seu imediato grande sucesso, mas foi a sua obra mais complexa e imperceptível que iria emergir com apenas 22 anos de idade: Uma Religião Nova, obra que, embora pequena, era revolucionária do pleno conhecimento da sociedade geográfica.

Entusiasmado pela ideia da formação da ciência geográfica moderna, Raimundo Lopes escrevia que não se deveria mais conceber a Geografia como apenas uma descrição de lugares, mas sim como um estudo dinâmico do homem e do meio em que ele vivia.

Inspirado em Emmanuel Martonne, o jovem Lopes percebia que a interação do homem, amparada pela ciência geográfica e plenamente pela Sociologia, já se havia constituído na França uma verdadeira finalidade. Justificava sua proposta pelo Maranhão e pelo sertão, por seu berço natal, mas sem ter sido excludo a margem, utilizava os dados da região para melhor embasá-los.

Mais tarde, matriculou-se em Direito, mas não chegou a concluir o curso, pois foi atraído pela Arqueologia, a História e a Antropogeografia.

Publicaria ainda artigos e ensaios históricos, entre eles Etnografias Maranhenses, Esboços Geográficos dos Fortes Castelos de São Luís, As Regiões Brasileiras, Entre a Amazônia e o Sertão, O Homem nas Terras de Natureza, Ensaio Etnológico sobre o Povo Brasileiro, Pesquisa Etnológica sobre a Pesca Brasileira no Maranhão e publicaria um ainda romance intitulado Peito de Moça e um último livro, Antropogeografia, é considerado um verdadeiro compêndio de ciência.

Membro da Academia Maranhense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão e da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, Raimundo Lopes mantinha estreitos laços de amizade com seus contemporâneos, como Sálvio Mendonça Casa da Costa e Graziella Rabelo da Costa. Casado, deixou duas filhas: Yara Graziella e Maria Cecilia.

Entre sua produção literária, o romance Peito de Moça e a obra Antropogeografia são destacados, mas, como toda grande produção científica, nem toda é devidamente reconhecida.

Além de ter escrito, foi também educador e orador. Ministrava palestras e participou ativamente da reforma educacional do Maranhão.

Dr. Raimundo Lopes faleceu no Rio de Janeiro, no dia 8 de setembro de 1941, próximo de completar 47 anos de idade.

Viana até hoje é devedora de uma justa homenagem a seu ilustre filho, que deu contribuição enorme à expansão das raízes, das ideias e das potencialidades da terra maranhense.