José Raimundo Campelo Franco

Por Academia Vianense de Letras

José Raimundo Campelo Franco, o mais jovem dos cinco filhos de Daniel Eduardo Franco e Maria da Conceição Campelo Franco nasceu em Viana, no dia 21 de novembro de 1972. Conhecido como “Deda” pelos amigos de infância, antes de ingressar no extinto Grupo Escolar São Sebastião para cursar o antigo primário, foi alfabetizado pela madrinha e professora Didi Magalhães desde os quatro anos. Depois de passar pela Escola Raimundo Marcelino Campelo (1º grau), finalizou a formação secundária nos cursos de Técnico de Contabilidade e Magistério, iniciados na Escola Normal e concluídos no antigo Antônio Lopes.

Desde 1991, tentou fixar-se em São Luís, mas somente em 1994 conseguiu estabilidade profissional para continuação dos estudos, graduando-se cinco anos depois em Geografia Licenciatura pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Mais tarde, pós-graduou-se stricto sensu por duas vezes, a primeira na área do Ensino da Geografia, a segunda, em Gestão Educacional.

Enquanto isso, o ilustre vianense em paralela jornada com os estudos, tecia brilhante carreira na área da educação, passando por diversos cargos através de concursos públicos ou pelo aprimoramento de experiências nas escolas, em posses de funções administrativas e gestoras. Tendo iniciado aos 19 anos no serviço público como Auxiliar de Serviços Gerais, permitiu-se galgar notável carreira nas escolas, incluindo trajetórias como: Agente Administrativo, Secretário Escolar, Professor, Supervisor Escolar, Diretor Adjunto e Diretor Titular. As escolas que serviram de palcos destes percursos foram: Estevam Carvalho e Colégio Paralelo em Viana, CAIC Embaixador Araújo Castro, Instituto Educacional Benditas Almas, U.E.B. Nascimento de Moraes e U.I. Prof. João Pereira Martins Neto em São Luís e também a Escola José Fernandes Machado em São José de Ribamar.

Em 2002 iniciou na docência do magistério superior nos antigos programas PROCAD da UEMA (Programa de Capacitação de Docentes) e como Professor Substituto na UFMA (São Luís) nos cursos de Geografia Licenciatura e Bacharelado, chegando a prestar serviços para a SEEDUC (Governo do Estado), em função técnica da Supervisão e Gestão de Pessoal Docente (SGPD). Franco sempre relembra com seus conterrâneos, que um dos trabalhos mais marcantes da sua carreira foi com duas turmas de graduação de Geografia em Viana pelo PQD da UEMA (Programa de Qualificação de Docentes), onde foram feitas importantes excursões nos lagos e ambientes com os professores.

Um novo marco se registra na vida de Franco em 2008, quando o mesmo conclui a sua primeira pós-graduação latu sensu, o mestrado em Sustentabilidade de Ecossistemas pela mesma UFMA, onde mais tarde assume o cargo de Professor Assistente de Geografia em regime de Dedicação Exclusiva, no Campus de Pinheiro. Como extensão das atividades docentes, o dedicado professor passou a desenvolver e coordenar pesquisas relacionadas aos recursos hídricos, cultura e memória da Baixada Maranhense.

Em sua dissertação de mestrado, Raimundo Franco apresentou um consistente estudo sobre as funções fisiológicas das águas vianenses e toda a malha de corpos hídricos que compõem os lagos de Viana, utilizando-se para tanto, dos modernos conceitos da geografia e de ferramentas hoje disponibilizadas pelo avanço da ciência como, por exemplo, imagens de satélites da região. O complexo sistêmico e interferências antrópicas como o processo de assoreamento dos lagos, barramento das águas, poluição urbana, bubalinocultura extensiva nos campos inundáveis e seus reflexos no âmbito social também foram abordados em sua produção acadêmica.

Originalmente, o texto produzido por Franco intitulou-se: Sistema Lacustre Vianense: ensaios de modelos conceituais para os lagos do município de Viana – MA. Pela quantidade de informações à base de imagens e projeções cartográficas, a publicação dos estudos com uma linguagem mais acessível ao público, encareceu bastante os custos, situação posta em que precisou ser dividida em duas obras, ambas selecionadas em acirradas concorrências de editais públicos da FAPEMA (Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão).

Desse modo, o livro com a primeira parte do trabalho, intitulado Segredos do rio Maracu, apresenta nos contextos mais gerais da área, um estudo preliminar do Rosário de Lagos do Maracu, traduzindo nas tessituras da geomorfologia fluvial, toda a abrangência do geossistema. O segundo livro, com título de Veias do rio Maracu, trata especificamente da hidrografia vianense, onde se inclui a composição das águas, seus processos e interações com outros ecossistemas, onde o autor propõe a obra, como um instrumento de consulta pública inspirador de um “Portfólio Geoambiental” para se pensar as políticas ambientais dos municípios.

A publicação dos trabalhos da dissertação de Franco, trouxeram louváveis méritos de diminuir, em parte, o grande vazio que pairava sobre um tema de suma importância para estudantes e pesquisadores da área ambiental da Baixada Maranhense. No âmbito das publicações oficiais, fora o clássico Uma Região Tropical de Raimundo Lopes e Retrato de um Município de Ozimo de Carvalho, quase nada mais havia que pudesse servir de bibliografia específica sobre esse magnífico e maltratado ecossistema lacustre que a natureza nos brindou. Por estes méritos acadêmicos, José Raimundo Campelo Franco foi eleito pela AVL para ocupar a Cadeira n° 32, tendo tomado posse em maio de 2013.

Ao participar do PROFEBPAR (Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica) da UFMA, o pesquisador incluiu temas educacionais em seu campo de estudos, com inúmeros artigos científicos publicados em capítulos de livros coletivos, revistas e anais de congressos nacionais e internacionais. Em 2015 Franco ingressa na segunda pós-graduação latu sensu, concluindo em 2019 o Doutorado em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com a tese intitulada:  Os Piquenos da Baixada Maranhense – subsídios para Geografias Outras do Lugar, onde novamente insere a magnífica Veneza Maranhense no foco de suas abordagens através de trabalhos com crianças, escolas e os campos inundáveis.

Por Luiz Alexandre Raposo (Atualizado em 2021, por Raimundo Franco)

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