Presença vianense marcante na MPB
Por: Luiz Alexandre Raposo
O filho mais velho do Dr. José Pereira Gomes e D. Lidonora Castro Gomes batizou-se com o nome de Rogério Castro Gomes. Depois de alfabetizado pelas professoras Nhazita Dias e Zilca Barros, foi matriculado na Escola Paroquial D. José Delgado. Teve uma passagem rápida pelo Estevam Carvalho (onde fez a 2ª série), mas retornou ao tradicional “Colégio do Padre” para concluir o curso primário.
Morando na Rua Grande, próximo do “Canto do Galo”, o menino se criou numa Viana dos anos 60, quando a natureza em volta da cidade ainda conservava muito da biodiversidade característica de um ecossistema lacustre. Assim, armar arpuças para pegar passarinho (curiasós, caboclinhos e canários), pescar de canoa, jogar bola nos terreiros com os colegas da vizinhança (Emanuel Barros, o mano Betinho, Roberto Mendonça e os irmãos Maciel, Marcadiinho e Hermes) eram suas brincadeiras preferidas.
Nessa época, também aconteceu seu primeiro contato com as artes. Convidado por D. Anica Ramos para interpretar personagens infantis de suas peças e comédias, o garoto teve as suas primeiras oportunidades de iniciar-se no canto, sob a orientação da teatróloga vianense. Mas, o despertar para a música viria mais imediatamente, realmente, no encontro com o consagrado cantor da época, Waldik Soriano.
Quando seu pai (então Promotor Público da cidade) contratou a orquestra para um show, em Viana, jamais poderia imaginar que estaria selando o destino do filho. Ao assistir a apresentação do “cantor das multidões” o adolescente deixou-se encantar com o que viu e ouviu. A partir daquele momento, seu passatempo predileto ficou por conta da interpretação das canções do Waldik. Depois começaria a criar novas letras para as músicas, inciando-se, dessa maneira, na arte de compor.
Em 1972, já residindo em São Luís, Rogério concluiu o curso ginasial no Colégio Batista e, em seguida, o 2º grau no Centro Caixeiral. Paralelo aos estudos, aconteciam as incursões pelo mundo da música. Depois de aprender, sozinho, a tocar guitarra, o jovem aspirante à carreira artística se tornou crooner de uma banda (naqueles idos, chamada de “conjunto”), com a qual se apresentava em festas pelos clubes da capital e cidades do interior.
A partida para São Paulo em busca de melhores oportunidades não tardou e seu primeiro show, fora do Maranhão, aconteceu na Faculdade de Filosofia da cidade de Presidente Prudente (SP). Logo depois, eleito como melhor intérprete do Festival de Paraguacu Paulista, gravou seu primeiro disco, um compacto pela Continental, uma das gravadoras nacionais mais conceituadas da época.
Fechée, seu primeiro LP, também pela Continental, teve o acompanhamento da Banda Tutti-Frutti, liderada pela cantora Rita Lee. Experimentando-se como arranjador, nesse mesmo trabalho começou a inovar, timbrando instrumentos típicos do folclore maranhense (tambor onça, matraca, caixa do Divino etc) com a instrumentária eletrônica.
Apresentando-se por vários teatros e circuitos universitários do Sul e Sudeste, Rogéryo pôde amadurecer seu talento e partir para parcerias importantes como a do compositor João do Vale (show Canto Livre) e da compositora Belchior, através do projeto “Conchade Meré”, ambos realizados em 1979, no Rio de Janeiro.
No ano seguinte, gravou seu primeiro disco independente, o LP Púrbulo, que trazia comentários na contra-capa de Augusto César Vanucchi e João do Vale. O disco foi considerado, pelo crítico de música do Jornal do Brasil, José Ramos Tinhorão, como um dos vinte melhores e mais brasileiros trabalhos musicais daquela ano de 1980. Por esse tempo, Rogério adotou o nome artístico de “Rogéryo du Maranhã̃o”.
O currículo do cantor e compositor vianense inclui inúmeras shows (inclusive pelas cidades norte-americanas de Miami, Orlando e Tampa), centenas de composições e variadas parcerias, em shows, com os nomes mais respeitados da MPB, como Sivuca, Luís Melodia, Eliane Pittman, João Nogueira, Fagner, Chico Buarque, Nonato Buzar, Gonzaguinho, Oswaldo Montenegro, Benito de Paula, Elba Ramalho, Alceu Valença, Oswaldinho do Acordeom, entre outros.
Indiscutivelmente, seu maior sucesso veio, em 1987, com a música Bia, composição de sua autoria. A música fazia parte do compacto Magias dos Papéis, gravado nos estúdios da Transamérica (RJ), com produção e arranjo do mestre Sivuca. O disco chegou a vender mais de 50 mil cópias em poucos meses.
De volta a São Luís, desde 1995, aqui produziu e lançou vários CDs, destacando-se Fruto Maduro, Anjo Lilás, Rogéryo du Maranhão interpreta Adielma Moreira e Viana, minha musa, meu amor. Da parceria com o irmão, Betinho Gomes, surgiu um vasto repertório de composições (varias delas dedicadas a temas relacionados à coletânea de poesias intitulada Canto do Galo).
Na área literária, lançou livros como Viagens e Fatos que fizeram história. Solteiro convicto e pai de Reogherino, Rogéryo du Maranhão é membro fundador da AVL, onde ocupa a Cadeira de nº 16, patronada pelo Maestro Miguel Dias.