
No dia 08 de agosto de 2026, nos deixou o ilustre vianense, doutor Carlos Nina Everton Cutrim. Filho de Pedro Cutrim e de Dona Cutrim, carinhosamente conhecida por todos como Doninha Cutrim, Carlos Nina deixou, por onde passou, as marcas de uma vida dedicada à justiça e à sua terra natal.
Como Promotor de Justiça e, posteriormente, em sua trajetória no Ministério Público, prestou relevantes serviços à sociedade maranhense, exercendo sua profissão com o compromisso e a dignidade que sempre lhe foram próprios.
Mas, antes de São Luís acolhê-lo, Viana já havia plantado em seu coração outras sementes: a música, a poesia e o amor pela terra.
Ainda jovem, Carlos Nina era músico. Ao lado de seu irmão, Ilmar Cutrim, e dos amigos Nonato Travassos e Ranulfo Coelho, integrou o seleto grupo de músicos vianenses que levavam alegria aos bailes, festas e festejos aos povoados vizinhos. Eram tempos em que a música aproximava as pessoas, atravessava caminhos e fazia da noite uma celebração da amizade e da juventude.
Doutor Carlos Nina também foi poeta, compositor e membro da Academia Vianense de Letras. Sua sensibilidade encontrou na palavra e na música uma forma de eternizar sentimentos, memórias e, sobretudo, o amor por Viana.
É de sua autoria uma das canções que permanecem vivas na memória e no coração dos vianenses: “Adeus, Viana”. Mais que uma composição, a música tornou-se um canto de saudade, uma declaração de amor à terra natal, um abraço de quem parte sem jamais conseguir se afastar verdadeiramente de suas raízes.
Hoje, a cidade, tantas vezes cantada por sua sensibilidade, se despede dele com saudade.
Carlos Nina parte, mas permanece na memória daqueles que o conheceram, na história de Viana, nas páginas da Academia Vianense de Letras e, sobretudo, nos versos e acordes de “Adeus, Viana”, que continuarão ecoando como uma lembrança terna de quem amou profundamente sua terra.
Porque há pessoas que partem apenas da presença, mas permanecem para sempre na memória.
E há aqueles que, como Carlos Nina, encontram na poesia e na música uma maneira de nunca partir inteiramente.
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(*) Sobrinha, Profa. Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho(UNESP). É professora Titular da Universidade Federal do Maranhão.