João de Parma

Por Academia Vianense de Letras

O idealizador da bandeira vianense

Por: Luiz Alexandre Raposo

João de Parma Montezuma e Silva nasceu e viveu em Viana, aproximadamente de 1860 a 1932, período em que ainda gozando de relativa estabilidade econômica, a cidade desfrutava um ambiente cultural de grande relevância, tendo a música como sua principal expressão artística.

Como era costume naquele tempo, muito cedo o jovem foi encaminhado para São Luís, a fim de estudar no conceituado Seminário Santo Antônio, de onde saiu poucos meses antes da ordenação sacerdotal.

Segundo a violinista América Dias (1907-2001), João de Parma costumava dar a seguinte explicação para o fato de ter abandonado os estudos, tão próximo de se tornar um sacerdote: “Por ordem do reitor do seminário, ele e os demais colegas foram ao Cine Eden, para assistir a um filme religioso. Casualmente, sentou-se ao lado de uma moça que se abanava com um leque perfumado de sândalo. Enquanto o filme se desenrolava na tela, inebriado pela doce aroma, o seminarista começou a imaginar como seria maravilhoso casar e ter uma mulher daquela como esposa. No dia seguinte, procurou o reitor, confessou-se e deixou o seminário para voltar à cidade natal.”

No entanto, a mesma informante costumava lembrar que as influências da época davam conta de outra versão para o caso, afirmando que ele simplesmente havia fugido do seminário sem dar qualquer explicação aos professores e ao reitor.

Fugido ou não do seminário, o fato é que o jovem educador passou a dedicar-se ao ensino primário em sua cidade, revelando amor e abnegação pela arte de ensinar.

O pai de família

O professor João de Parma era casado com a senhora Joana Luzia Nunes da Silva, com a qual teve sete filhos: Ricardo, Virgílio, José Maria (conhecido por Nhô-Juca Parma), Mariano, Joaquim, Tercília e Justina. A família morava na Rua Grande, numa casa localizada onde atualmente reside o casal João e Dadica Barros.

Sobre a viuvez do velho mestre, o jornal “A Época” do Dr. Ozimo de Carvalho (que circulou de 1929 a 1931), em seu n° 6, página 2, de 10 de fevereiro de 1929, trazia o seguinte nota de agradecimento: “João de Parma Montezuma e Silva, seus filhos, netos, genros e noras agradecem penhoradamente a todas as pessoas que os acompanharam e dirigiram cartas, telegramas e visitas pessoais, apresentando-lhes condolências por ocasião do súbito falecimento de sua esposa, mãe, avó e sogra, Joana Luzia Nunes da Silva, no dia 29 do mês passado, bem como aos que assistiram à missa de corpo presente celebrada na Igreja Matriz e acompanharam o féretro ao Cemitério 2 de Novembro, no imediato. A todos protestam sua gratidão. Viana, 10 de fevereiro de 1929.”

Ainda nesse jornal na edição no 113, datada de 15 de março de 1931, menciona na seção “semana social” o aniversário natalício do “venerando professor João de Parma Montezuma e Silva que transcorre no próximo dia 20”.

O artista

De acordo com América Dias, filha do famoso maestro Miguel Dias, atendendo ao pedido do então pároco da Matriz, cônego He­metério, seu pai organizou uma orquestra e dois cantores para o acompanhamento das missas solenes. O primeiro selecionado, como cantor, foi o ex-seminarista João de Parma por possuir um timbre de voz muito bonito e por dominar perfeitamente o latim. O segundo cantor selecionado foi o cego de nascença, Ricardo Simas, igualmente dono de uma bela voz.

Anos mais tarde, depois de muitas missas cantadas nas igrejas vianenses, o coro masculino se dissolveu. Miguel Dias organizou, então, um coro feminino com moças da sociedade local. Entretanto, a voz privilegiada de João de Parma continuaria sendo solicitada pela moça­tiva, vez por outra, para formar um pequeno côro, especialmente para a interpretação de peças sacras que assim o exigiam. Conforme depoimento textual da filha de Miguel Dias, “João de Parma tinha uma voz linda, como nunca vi outra igual”.

No livro “A Grande Música do Maranhão”, João Mohana relaciona, entre tantas partituras resgatadas, uma ladainha para vozes e orquestra de autoria de João de Parma, inte­ressante essa obra se encontra no Arquivo Público, em São Luís, para onde foi transferido todo o acervo musical colecionado pelo padre e pesquisador.

Teriam existido outras composições de João de Parma? É provável que sim, mas lamentavelmente se perderam ao passado sem haver felicidade aos nossos dias, era comumente aplicada nas escolas primárias mantidas pelo Estado. Uma para o sexo feminino, cuja professora era a célebre Amélia Carvalho e a outra para o sexo masculino, regida pelo professor João de Parma.

O médico Sálvio Mendonça, em sua “História de Um Menino Pobre”, mais precisamente no capítulo XXII da citada obra dá o seguinte depoimento sobre o biógrafo: “Em 1907, já com 15 anos, voltei a Viana para continuar os estudos na escola pública daquela cidade, a única existente. O professor era João de Parma, que tinha estudado no seminário de São Luís, até o último ano do curso respectivo e de onde fugiu antes de ser sacerdote. Tomava conta da Igreja Matriz e dirigia o coro nas missas. Era um homem severo, e me deixava tomando conta da escola, cujos alunos, em maioria, eram pretinhos descalços, filhos de famílias pobres e humildes. Às 11 horas chegava o professor, e sempre mal-humorado. O professor começava a tomar as lições. Os alunos que liam mal ou erravam tabuada, por ordem dele, ficavam de pé, encostados à parede. No fim, todos passavam pela palmatória, tomando cada um, em voz alta, os bolos que recebiam de 1 a 12, conforme os erros, o mau comportamento, ou a má vontade do professor…”

É necessário frisar que esse rigoroso método de ensino, tão estranho aos nossos dias, era comummente aplicado em outros centros educacionais espalhados pelo Brasil da época.

O educador

No início do século XX, existiam somente duas escolas primárias em Viana, mantidas pelo Estado. Uma para o sexo feminino, cuja professora era Amélia Carvalho e a outra para o sexo masculino, regida pelo professor João de Parma.

Em 1912, o professor João de Parma, apresentado pelo inspetor escolar, foi nomeado pelo governo.

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