Uma história de luta e de superação
Por: Luiz Alexandre Raposo
Quinto filho da união de Pedro José Nunes (Pedro Mendengo) e Maria dos Remédios Marques Nunes, Pedrito Frank Marques Nunes nasceu em Viana, no dia 23/11/1944, pelas mãos da parteira Mãe Umbelina. A família de 11 irmãos vivia numa casa humilde, chamada Japão, que se situava nos fundos da antiga igreja de São Sebastião, na Rua Celso Magalhães, mais conhecida como “Rua do Canudo”.
Alfabetizado por uma de suas irmãs, Maria da Conceição Nunes (Maria Prego), o travesso garoto logo ficaria conhecido por todos pelo cognome de Pedro Mendengo Filho. Matriculado na extinta Escola Municipal, que funcionava no prédio da Prefeitura, fez ali a 1ª e 2ª séries primárias com as professoras Maria de Nazaré Fernandes e Celina Clara Bezerra. Em 1956, o menino foi transferido para a também extinta Escola Paroquial Dom José Delgado, onde estudou as três últimas séries do antigo curso primário, concluído em 1958. Naquela escola, tornaram-se seus amigos de célebres mestres vianenses, como Djalma Magalhães, Maria Antônia Gomes, Celeste Carvalho, Edith Nair Furtado, Lourival Serejo, e os padres Heitor Piedade Júnior, Wilson Nunes Cordeiro e Manoel Arouche.
Em 1959, Pedrito Frank viajou para São Luís e no final desse mesmo ano foi aprovado no exame de admissão ao curso ginasial no Colégio Ateneu Teixeira Mendes. Dois anos depois, vencendo as dificuldades encontradas, conseguiu concluir o 1º ciclo escolar e, por conta da recomendação dada pelo professor Antônio Gomes, recebeu incentivo para continuar estudando.
Sem condições financeiras de permanecer naquele estabelecimento de ensino por dois anos para, posteriormente, por conta de bolsa de estudo, transferir-se para o Colégio Batista, onde concluiu o ginásio em 1964. Três anos depois, precisou interromper os estudos na metade do 3º ano Clássico, para trabalhar na Secretaria de Segurança Pública do Maranhão.
Em outubro de 1968, entretanto, para sua grande alegria, conseguiu concluir o 2º grau, graças aos exames do “Madureza”.
Tendo como projeto maior de vida cursar uma faculdade, o jovem vianense de origem modesta aprendeu desde cedo a enfrentar desafios e vencer obstáculos. Mas não faltaram também pessoas solidárias que o ajudariam na imensa caminhada, como o dr. Aquilino Vieiras (Dr. Antônio e D. Galeante) que, além de lhe hospedar por algum período, ainda lhe davam o rumor incansável.
Iniciando noutra fase, Pedrito transferiu-se e ingressou numa instituição de ensino superior para o Maranhão, dedicando-se ao curso de Psicologia, no Rio de Janeiro em um total decisão foi o amigo Kleber Gomes, filho de um coletor que havia trabalhado em Viana, e que se tornara seu colega no curso pré-vestibular Professor Zé Maria do Amaral.
O sonhado curso universitário também não viria tão facilmente na “Cidade Maravilhosa.” Depois de pulsar de galho em galho, hospedando-se com conhecidos, Pedro conseguir superar um concurso público para o IBGE, em 1971.
Com o emprego garantido, dois anos depois, Pedrito Frank casou com Aurora Therezinha de Menezes Grajau, com a qual teve dois filhos: Marcelo Luiz Menezes Nunes e Marciano Cristiano Menezes Nunes. Com a família para manter, o plano de retomar os estudos tiveram de esperar por longos dez anos. Nesse meio tempo, atravessou uma das fases mais complicadas de sua vida: abatido por forte depressão e terrível sensação de fracasso, tornou-se vítima fácil para o vício do álcool.
Como o velho arvoredo que teima sobreviver aos ventos mais fortes, a razão e o apoio daqueles que sempre acalentaram seus ideais falaram mais altos. Abandonou a bebida e voltou-se para os estudos, ingressando no curso de Psicologia (Licenciatura e Bacharelado) na UCL. Atualmente especializado em Psicologia Clínica Médica Psicossomática, Fisiologia Humana e Psicomotricidade, o psicólogo Pedrito Frank trabalha na Clínica Médica Psicológica Santo Antônio, voltado para jovens e adolescentes, portadores de distúrbios e deficiências motoras e mentais.
Em 1996, em visita ao Maranhão para rever parentes e amigos, Pedro Mendengo Filho deu-se conta das graves contradições culturais e socioambientais impostas à cidade natal. Naquele ano voltou ao Rio de Janeiro decidido a formar uma frente de luta pela preservação da história, da cultura e do meio ambiente de Viana. Depois de dialogar com os conterrâneos José Antônio Castro, Heitor Piedade Júnior, Ademar Meia entre outros, idealizou os Congressos Históricos Culturais de Viana e do Meio Ambiente do Rosário de Santo Aroucho. Assim, durante onze anos consecutivos, através desses seminários, trouxe conscientizar a comunidade local para a vivência de uma cidadania plena e ambientalmente correta.
Professor Frank Marques Nunes, ou o eterno Pedro Mendengo Filho para seus conterrâneos, avô coruja de três netas Amanda e Beatriz, hoje ocupa a Cadeira n° 25 da AVL, cujo patrono é o Nogueiro e compositor Raimundo João Nogueira.